quarta-feira, 25 de abril de 2012

O preco do abacaxi

Serviço de sapataria instantaneo em Hanoi

1. Você tá andando distraída e do nada aparece um cara rindo e apontando a pontinha solta da sola do seu sapato. Antes mesmo de você entender a cena, o cara tira o seu tênis, sem o seu consentimento, calça um chinelo no seu pé e começa a colar e costurar a sola. Você tenta explicar que não quer um remendo com linha branca no seu bom e velho Camper cinza, mas ele só ri. Você tenta descobrir quanto vai custar esse serviço compulsório e ele só ri. Ao final, "three hundred thousand Dongs", sorrindo. "O que? 15 dólares por um serviço que eu nem pedi? Vou pagar 20 mil dongs". Ele nem pegou a nota e foi descendo o preço aos poucos, fingi que não ouvia até que ele reclamando pegou o dólar.

2. Você está na rua, na fila do caixa eletrônico do banco e uma mulher coloca no seu ombro as cestas com os abacaxis que ela vende, pega a sua câmera, manda você sorrir e tira uma foto sua. O preço do abacaxi que ela quer que você compre: 30.000 dongs (dois dólares e meio). E a discussão foi a mesma, "não vou pagar por algo que eu nem pedi e bla, bla, bla". Resultado, a foto-abacaxi custou 10 mil dongs.

Comecei a viagem determinada a não barganhar porque sou contra dar preço para o trabalho dos outros. Cada um cobra o quanto acha que seu produto vale e eu compro se achar justo e puder. Mas aqui, se você não ficar ligada, eles fazem o serviço e só apresentama conta no final, por mais que você pergunte antes eles dão um jeito de não responder. Não aceite nada sem saber o preço antes. Cada sorriso e cada "where are you from?" vem seguido do incansavel "will you buy from me?".

Duas semanas após ser feita de trouxa pelos ambulantes vietnamitas em cenas como essas - e o auge que foi pagar um milhão e meio de dongs por um passeio de bicicleta em Saigon (70 dólares) - você aprende muita coisa.

Mas nada disso estraga a viagem. O vietnã tem paisagens lindas, comida deliciosa e boas opções de hospedagem. Cruzar o país de norte a sul é fazer várias viagens dentro de uma: praia, montanha, o agito das cidades grandes, a beleza rudimentar das vilas étnicas e o charme de pequenas cidades. Em todas elas, os ambulantes te perseguindo, literalmente, mas também muita gente receptiva que só quer em troca um bom papo, sempre iniciado com "where are you from?".
O abacaxi mais caro da viagem em Hanoi

Turistas sendo perseguidos pelas vendodoras de Sapa


domingo, 15 de abril de 2012

EUA no Vietnã

O Museu da Guerra (dos Estados Unidos no Vietnã) tem o acervo documental mais impactante que eu já vi. Sequer consegui ver todas as salas.

A crueldade americana e as consequências do armamento químico desenvolvido por empresas que prosperam até hoje como a Monsanto foram bem maior do que eu poderia imaginar. E certamente ainda maior do que o Museu consegue expor.

Imagens e relatos que me fazem pensar como os americanos conseguem ser tão patriotas.


sábado, 14 de abril de 2012

Wannabawã

Wannabawã? Wannabawã? Repedida inúmeras vezes pelos cambojanos, a oferta wanna buy one, em fala bem analasada, perde seu apelo e vira um zumbido constante que acompanha os turistas. Nós, turistas parecemos um imã para todo tipo de mercadoria: chaveiros, echarpes, camisetas, pulseiras, livros, postais, flautas, gravuras, aquarelas, frutas, etc.

Para toda negativa você ouve I can give you discount, lady. For a very good friend, lady. I have different colours, Madam. Buy it to your Mon, lady.

Com o passar das horas fica cada vez mais difícil manter o sorriso para entoar o nosso mantra: No,thak you. No, thank you.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mãe, cheguei do outro lado do mundo!

Foi a primeira coisa que me veio a cabeça ao pousar em Hong Kong, a brincadeira de criança:Era só cavar um buraco bem fundo e pronto, você chegaria na china ou japão.
Enquanto a área de imigração espanhola estava às moscas (e o carinha ficou regulando nossa entrada para um almoço em Madri), Hong Kong ostentava uma bela fila de turistas. O carimbo no passaporte veio sem nenhuma pergunta, apenas um sorriso. Esse é o jeito de receber visitantes que juntos deixam uma boa grana para os cofres do país, impulsionam a economia e ajudam na geração de empregos.
Poucas horas em Hong Kong e não entendi nada de seus arranha céus geminados em frágeis e precários treme-tremes. Uma caminhada até a times square pela movimenta Hudson Road corroborou um pré-conceito: é a cidade da poluição. Poluição do ar, visual e, sobretudo, sonora. Não bastasse o barulho dois muitos ônibus, os semáforos tocam uma constate sirene cujo som fica mais intermitente para avisar aos pedestres que é hora de atravessar. E são muitos os pedestres em Hong Kong - estamos mesmo no país mais populoso do mundo.
Somado a isso, o outdoor na times square é uma tela led gigante que transmite publicidade com áudio, é claro. O Kassab precisa ter um papo com o recém-eleito presidente de Hong Kong, Leung Chun-Ying. Quem sabe nessa troca ele não absorve também umas ideias comunistas?

O Camboja não conhece o Brasil

"Brazil! Great economy", avalia o estudante cambojano. A professora  de inglês dele aqui em Phnom Penh é brasileira. "Véri gudi titcher".
Mas também foi aqui que troquei ideia com pessoas varias pessoas que nunca tinham ouvido falar do Brasil, e olha que eu apelei! "Brasil! Ronaldinho! Pelé! Soccer!" E ouvi um sorridente "nai, nai".
Frustrada, sentei e duas músicas depois, entre Shakira e Duran Duran, Tom Jobim! "Hey guys! The music that is playing is from my country! The music, from my country. Braziliam music! The music". E foi aquele sorrisão largo de quem não estava entendendo nada do que eu dizia. Voltei para o suco, um refresco nessa cidade escaldante.
Ao final desse post, a mesma lanchonete tocava Morais Moreira. Me ocorreu que ao invés de mencionar "Pelé", vou  passar a cantarolar "tall and tan and young and lovely". Se ainda assim não der certo, o jeito é apelar de vez: "delícia, delícia, assim você me mata.  Ai, ai, ai se eu te pego, ai, ai".

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Lost in translation

E essa história dos guias de viagem de que HKG é bilíngue por enquanto não se confirmou. Os taxistas só dão um resmungo e balançam a cabeça. Nas lojas os vendedores informam o preço digitando o valor na calculadora e sobre os produtos sabem falar apenas algumas palavras em inglês. Mas a sinalização de trânsito e ruas é em cantonês e ingles, o que facilita muito.
No primeiro restaurante, ironicamente na times square, nenhuma das quatro atendentes sabia sequer explicar os pratos, as bebidas e os valores em inglês. Mas o thank you aprenderam e usam bastante. E a cortesia do chá - nuca deixam sua xícara vazia.
Essa experiência de estar "lost in translation" é uma ótima! Abusamos da mímica, apontamos pratos e bebidas servidos em outras mesas e continuamos sem nos entender!  As risadinhas amistosas que duas turistas ocidentais bastante atrapalhadas provocaram nas tímidas garçonetes foram impagáveis! Melhor assim: os pratos chegaram deliciosos. E eu que queria tomar algo gelado recebi uma bebida quente ótima  que não faço a menor ideia do que seja - sevida com uns grãozinhos tipo canjica dentro. Adorei e agora não sei o nome para pedir de novo. E se eu tentar tenho certeza que virá uma bebida gelada.




domingo, 8 de abril de 2012

Uma tarde em Madrid

[portunhol mode on]
- Táxi!
- Real Madrid. E usted? Corinthians?
- No, yo soy vaixco e eja és San Paolo.
- Mutchos hogadores de acá no Brasil... Pato, Marcello... A cá de brasil solamente Kaka.
- Detrás de la plaza mayor hay muy buenos restaurantes para pinchar e tomar unas cervejas, puedem pedir calamares...
O taxista gente fina ajudou a melhorar o humor depois do mala da imigração. No caminho para a região central chamou atenção o quanto a região periférica também é bonita e aparentemente bem planejada. Claro que em uma tarde qualquer observação não passa de impressão.
A partir da Puerta del Sol caminhamos para Plaza Mayor com seus artistas de rua, familias aparentemente locais passeando, muitos turistas, pedintes e moradores de rua.
A ideia era apenas almoçar e sair um pouco do ambiente "aeroporto/avião" nessa jornada de 36 horas para chegar no oriente. Tínhamos só quatro horas na cidade, mas depois de uma saborosa paella com "vinho da casa" ainda conseguimos ainda fazer um caminhada por pontos como: Museo del Prado,....  e, por fim, Museo Thissen com parada no café e comprinhas na loja.
A tarde foi ótima para aumetar minha coleção de lápis de museus e respirar um arzinho europeu antes da bufada que viria a ser as primeiras horas em Hong Kong. De saldo, ficou a vontade de conhecer a Espanha.



Madrid: como a imigração foi 'boluda'

11 horas no avião velho da espanhola Iberia para sermos recepcionadas por uma imigração que não queria nossos parcos euros em seu território - como se o país em crise pudesse se dar ao luxo de recusar receita.
[portunhol mode on]
- No pueden sair. Tienes que aguardar en lo salon de conexión.
- Señor, nosotros queremos solamente fazer desajuno en la ciudade, tenemos sete horas para quedar aquí hasta nuestro procximo vuelo hasta hong kong.
- No pueden. Para salier tienes que passar por todo lo procedimento de imigración.
-Entonces queremos passar por lo procedimento de imigración.
Balançar de cabeca, risadinha cínica, clac, clac e pronto, esse foi todo lo procedimiento de imigración. Dois carimbos e fomos aceitas para passear nas belíssimas calles de Madrid com seus mendigos e pedintes evidenciando a nova ordem mundial.
Dilma, reciprocidade neles!
Nota: o barajas nos faz ter vergonha do nosso chechelento cumbica.
Dilma, não tem popularidade que resista ao fracasso de sediar uma copa com a mídia mundial de olho na nossa falta de infraestrutura. Torço a favor, mas todos os nossos modais de transporte son una lastima.